segunda-feira, 22 de outubro de 2012


Embarques de café seguem lentos e vão recuar este ano
Guilherme Braga, do Cecafé: produtor brasileiro dosa vendas conforme os preços
Lentos nos últimos meses em virtude de adversidades climáticas em regiões produtoras e da "queda de braço" entre importadores com os cintos apertados e exportadores capitalizados e sem pressa para vender, os embarques brasileiros de café caminham para fechar 2012 com uma queda de até 15% em volume.
Especialistas lembram que é de se esperar que os importadores do Hemisfério Norte acelerem um pouco as compras nos próximos meses, já que a demanda aumenta na medida em que as temperaturas caem, mas que esse maior apetite será suficiente apenas para reduzir as variações negativas em relação ao ano passado.
Um aumento sazonal mais substancial da demanda externa encontra resistência no cambaleante cenário econômico-financeiro mundial, atenta Gil Barabach, analista da Safras & Mercado. Com a crise, afirma, muitos compradores estão adquirindo café "da mão para a boca", conforme suas necessidades mais urgentes. Além disso, enfrentam mais dificuldades para obter crédito, o que acaba por segurar as encomendas.
Em meio às turbulências, o volume exportado pelo país somou 19,6 milhões de sacas de 60 quilos de janeiro a setembro, 19,3% menos que em igual intervalo de 2011. Com a queda das cotações internacionais entre os dois períodos, a receita das vendas caiu ainda mais: 26,1%, para US$ 4,5 bilhões, conforme o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Para a entidade, o volume anual deverá ser de 10% a 15% inferior ao de 2011 (33,5 milhões).
A retração chama mais a atenção pelo fato de a safra que começou a ser colhida no fim do primeiro semestre (2012/13) ser o polo positivo da bienalidade que marca a cultura e sempre gera um ciclo mais "gordo" seguido de outro mais "magro".
Segundo Michael Timm, diretor-geral da Stockler Comercial e Exportadora, a empresa continua sem fechar contratos de longo prazo e deverá exportar 7,1 milhões de sacas em 2012, 11,25% menos que no ano passado. "Espero que os negócios se recuperem nos próximos meses".
Timm ressalta que os torrefadores de países importadores continuam a elevar a compra de café robusta, mais barato que o arábica. Ele acredita que as cerca de 5 milhões de sacas que o Brasil exportará a menos este ano poderão ser "abocanhadas" pelo Vietnã, tradicional fornecedor de robusta.
"Talvez haja essa substituição, mas até quando?", pergunta Barabach. E ele chama a atenção para outro fator importante: como os produtores brasileiros estão retraídos, à espera de melhores preços, o café arábica do país está até mais caro que o de fornecedores concorrentes.
Em relação às cotações praticadas na bolsa de Nova York, o arábica do Brasil está com um desconto de cerca de 10 centavos de dólar por libra-peso. Sem problemas climáticos ou "quedas de braço" entre importadores e exportadores, seria normal que esse desconto fosse maior nesta época de safra colhida. Não bastassem esses fatores, os preços mais elevados no mercado doméstico do que no externo turvam um pouco mais a equação que resulta em queda das exportações, como nota Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria e Gerenciamento de Risco.
Tudo isso levando-se em consideração que os produtores estão, em geral, mais capitalizados após boas temporadas, a ponto de limitarem suas tradicionais vendas antecipadas à espera de melhores cotações. "O produtor pode escolher o momento de vender conforme o preço", afirma Guilherme Braga, diretor-geral do Cecafé.
Segundo a Safras & Mercado, 43% do café desta safra 2012/13 foi vendido até o fim de setembro, ante 56% de igual intervalo de 2011.
Braga observa, ainda, que o ritmo das vendas da safra já colhida também depende da expectativa da futura produção. Neste momento, as atenções estão voltadas para a florada, cujos primeiros indícios apontam uniformidade, o que é um bom sinal para o ciclo 2013/14, mesmo sendo ele um "polo negativo" da bienalidade.

SAFRA 2012 / 2013
 Arábica Tipo 6, Bebida Dura - com até 12% de UmidadeR$ 355.00
 Arábica Tipo 7, Bebida Rio - com até 12% de UmidadeR$ 294.00
 Arábica Tipo 8, Resolução, 12% de Umidade (RZ) p/ industrialização com ICMSR$ 284.00
 Conilon Tipo 7, com até 13% de Umidade e até 10% de BrocaR$ 267.00
 Conilon Tipo 8 com 13% de Umidade para industrialização, com ICMSR$ 280.00
  • Preço cheio;

  • Mercadoria ensacada;

  • Posto na praça de Vitória;
  • Sem ICMS;

  • FUNRURAL incluso;

  • Pagamento - 01 (um) dia após a entrega.
  • CAFEICULTURA


    Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), garantiu a presença do café conilon produzido no Espírito Santo na principal feira de cafés especiais do mundo. A ação faz parte da estratégia adotada pela administração estadual e parceiros para ampliar o mercado do café produzido no Espírito Santo. No ano em que comemora 100 anos de existência no Espírito Santo, a cafeicultura de conilon será apresentada na Feira da Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA), que começou ontem (18/04/12) e vai até o dia 22, na cidade de Portland, nos Estados Unidos.
    Ontem (18), antes do embarque da comitiva capixaba, o secretário da Agricultura, Enio Bergoli, e o presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Evair Vieira de Melo, que integram o grupo, apresentaram as ações que serão realizadas em 2012 para marcar o centenário e fortalecer e ampliar a importância do café conilon capixaba.
    "A participação institucional nessa feira é uma iniciativa inédita para o café conilon. A comitiva capixaba é formada por 25 integrantes que representam todos os segmentos da atividade em nosso Estado. Teremos a oportunidade de apresentar ao mundo o sucesso alcançado por nossa cafeicultura de robusta e os produtos de excelente qualidade que produzimos no Estado", destaca o secretário Enio Bergoli.
    A feira da SCAA está na 24º Edição. Desde 1988 ela é realizada em capitais de estados americanos junto com um simpósio de cafés especiais, onde executivos, políticos e membros da cadeia de cafés de alta qualidade discutem as estratégias adotadas para esse mercado em todo o mundo.
    A expectativa de publico é de 10 mil pessoas, sendo a maioria proprietários e alta gerência de empresas, com poder de decisão na compra de determinados produtos da cadeia do café. São mais de 40 países envolvidos no evento e aproximadamente 700 expositores. Além dos estandes, ocorrem simultaneamente campeonatos de baristas, degustações de café e reuniões de instituições.
    "Essa estratégia presencial na feira segue o modelo que foi conduzido para o café arábica capixaba há exatos 12 anos. Naquela oportunidade foi apresentado ao mercado internacional o produto capixaba em sua essência. Desde então nossa cafeicultura de arábica não parou de conquistar novos mercados e se desenvolver com a produção sequencial de cafés de qualidade superior", ressalta o presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo.
    No estande capixaba, além da disponibilidade de materiais alusivos à cafeicultura capixaba e de orientações técnicas de especialistas, serão realizadas sessões de degustação dos cafés produzidos no Espírito Santo.
    Eventos do Centenário do Conilon no Espírito Santo
    Realização em Vitória (ES) da Conferência Internacional de Coffea canéfora, de 11 a 15 de junho de 2012, no Centro de Convenções de Vitória.
    A conferência tem o objetivo de reunir no Estado a comunidade científica mundial com atuação no setor. O evento visa apresentar e discutir, com a comunidade científica e com representantes dos diversos setores envolvidos na cadeia de Coffea canephora, temas associados à pesquisa, desenvolvimento e inovações; aspectos conjunturais e de organização; qualidade, mercado e indústria, entre outros, direcionados à competitividade e sustentabilidade dessa importante atividade em vários países do mundo. Representantes de 22 países já confirmaram participação.
    Espera-se, com o evento, fortalecer o fórum de discussões e de conhecimentos em prol do agronegócio Café Robusta/Conilon e ampliar a inserção do Espírito Santo internacionalmente como referência na produção de café.
    Lançamento da Campanha para Produção de Café Conilon de Qualidade, dia 14 de maio de 2012 (dia estadual do início da colheita), em Vila Valério.
    O objetivo da campanha é ampliar a adesão dos cafeicultores aos modos de produção e pós produção que garantam o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade final do produto, com enfoques nos aspectos econômicos, sociais e ambientais, necessário à garantia da sustentabilidade do negócio café capixaba. A orientação âncora dessas ações é o planejamento estratégico construído participativamente com as representações da cadeia produtiva.
    A campanha traz uma série de materiais informativos com as técnicas adequadas de cultivo, colheita, secagem, beneficiamento e armazenamento, com os chamados "10 mandamentos para produzir um café de qualidade". Esse aparato técnico visa conscientizar os cafeicultores sobre a importância da qualidade. Aliado a esse trabalho, o Governo do Estado e parceiros intensificam as ações de assistência técnica com aproximadamente 2.500 atividades.
    Lançamento de logomarca e de selo (correios) comemorativos dos 100 anos do conilon. Produção de livro retratando os 100 anos do conilon no Espírito Santo.
    A cafeicultura é a mais importante atividade econômica e social para o interior do Estado, segundo produtor nacional (arábica conilon) e o primeiro de conilon. Todos os municípios capixabas produzem café, exceto a capital, Vitória.
    São aproximadamente 320 mil pessoas ocupadas com a atividade, que é uma fonte dinâmica na geração de emprego e renda, e que em 2011, gerou R$ 3,3 bilhões de renda anual somente para os cafeicultores.
    O investimento do Estado em ações para a manutenção e desenvolvimento da cafeicultura aproxima-se dos R$ 60 milhões.